sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Recôncavo Cultural

Tempero da arte, música, dança em Cachoeira coloca a dose certa de cultura na cidade

Centro da História pelas suas lutas na Independência do Brasil, Cachoeira, cidade no recôncavo da Bahia, ainda é reflexo dos acontecimentos históricos, nas fachadas das casas e em suas ruas ladrilhadas. Seu burburinho cultural vem deixando sua marca em galerias, oficinas de capoeira, sebos, encontros de poetas, músicos, pintores e admiradores das artes. O encontro é feito geralmente à noite, e, quando se fala em ir para um barzinho legal, ouvir um poeta recitando, bater um papo no meio dos trabalhos de artistas reconhecidos, o Pouso da Palavra é uma boa pedida. O lugar, marcado pela originalidade, por seus traços de arte nas mesas com bases de máquinas de costura, e pelos objetos que compõem o espaço, foi idealizado por Damário da Cruz, poeta e fotógrafo que há dez anos abriu essa mistura de galeria, bar e biblioteca.
Rosângela, que toma conta do espaço do artista, conta que o desejo inicial de Damário da Cruz era colocar somente os seus trabalhos de fotografia e poesia a mostra. Mas com o tempo colocou a sua casa de portas abertas para conterrâneos da cidade e todos os artistas dispostos a expor seus trabalhos. Além da freqüência artística no ambiente, professores e estudantes do Centro de Artes, Humanidades e Letras da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia aproveitam o espaço, para promover lançamentos de livros, saraus de literatura e exibição de filmes.
No mesmo clima entra o sebo Café com Arte de Michel Bogdanowicz, polonês naturalizado brasileiro que, 35 anos depois de chegar ao Brasil, decidiu morar em Cachoeira. O sebo comercializa, além de livros, artefatos, adereços e CDs antigos e disponibiliza o espaço para a exibição de filmes, apresentação de grupos musicais e lançamentos de livros, tudo aberto ao público. Além de petiscos deliciosos, o lugar proporciona boa música e boas histórias contadas pelo dono do sebo.
Arte para todos os gostos
Outra boa atração para os turistas são as galerias e ateliês que só mostram quadros, artefatos e jóias para venda, como o atelier e galeria Luz do Sol. O espaço pertence ao artista plástico Billy Oliveira, que pinta há mais de 10 anos e diz sofrer no verão com a queda de turistas na cidade. Com isso, abre a galeria por mais tempo, nas festas tradicionais, como a D’ajuda e de Nossa Senhora da Boa Morte.
Para quem deseja comprar arte africana, jóias trabalhadas com pedras de todos os tipos a galeria de Mônica Maia e Pedro Aragão está à disposição. Próxima à igreja matriz da cidade, o ambiente, com iluminação adequada e amplo espaço se divide entre as especialidades dos donos. A Mônica Maia, que nos recebeu para a entrevista, é uma artista que desenha e monta jóias. Diz que o espaço tem sim um público restrito, poucos moradores da cidade e bastante gente da França, Canadá e Itália que compram com mais freqüência suas obras. Mas a população local entra mais por curiosidade, pois o espaço foi aberto há pouco tempo. Carioca, Mônica revela que adora a cidade de Cachoeira, mas acha que se tem pouca preocupação dos órgãos competentes em investimentos na área da cultura.
Cachoeira, para quem a visita, mostra-se cada dia mais expressiva, um lugar no qual a cultura permeia por todos os cantos. Para quem a habita é motivo de orgulho pela presença de poetas, escritores e músicos que fazem da cidade um ponto de cultura no recôncavo da Bahia.

Taiane Nazaré

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Retrato da superação

Entrevista de ex-alcoólatra e integrante do grupo Alcoólicos Anônimos conta a sua história e como o A.A. mudou sua vida.

Seu Valter Silva, não parecia estar inibido àqueles estudantes de jornalismo à sua frente. Chegou próximo a porta, esperou o sinal do professor, para entrar. Sua simplicidade e educação ficaram visíveis ali. Se apresentou com um sorriso disfarçado, ocultando a satisfação em contar o exemplo, de sua entrada e triunfante saída ao mundo do alcoolismo.

“O álcool é uma doença perversa, má”

Começa a entrevista falando da sua história, onde a bebida na juventude tinha participações casuais. Em festas de largo, saída com os amigos, mas nada que pudesse um dia se tornar um vício. Ficando mais velho, o álcool estava cada vez mais presente. Acompanhando a bebida, chegava a tragar duas carteiras de cigarro por dia.

No dia seguinte, após as festas e farras não fazia idéia de como tinha chegado em casa, pela bebedeira consumida era carregado pelos amigos. Admite que muitos desses amigos, não eram tão companheiros assim. Casado, sabia que a sua família passou por maus bocados ao ter um alcoólatra em casa. Depois de tratado do alcoolismo percebe a vergonha que muitas vezes fez a sua família passar. Mas diz que aos 79 anos, comprova que o alcoolismo não tem cura, mas que é possível se restabelecer, ter uma vida digna, longe da bebida. Há muitos anos dá a sua contribuição de ex-alcoólatra sendo integrante do grupo Alcoólicos Anônimos, A.A., como assim é mundialmente conhecido.

“O que falta é à força de vontade e fé em Deus”

Alcoólicos Anônimos é instituição que já trouxe à vida 1 milhão de vítimas do alcoolismo.Sua participação em mais de 95 países em 74 anos de atuação demonstra a sua eficácia no tratamento contra a doença. Seu Valter é integrante há mais de 20 anos, desde a instalação da instituição na cidade de Cachoeira, recôncavo da Bahia. Fala que o essencial é a força de vontade e fé em Deus para se recuperar do álcool. Conta que a certo grau da doença pode-se chegar à loucura. Assim, o grupo Nova Esperança situado no Centro Espírita Obreiros do Bem, tem de 10 a 11 integrantes efetivos. Onde contam com um tratamento do programa chamado “Os 12 passos”.

O primeiro passo é a conscientização da impotência perante o álcool. As reuniões servem para cada um socializar as histórias e comemorar dia após a distância do álcool. A participação da família se torna essencial no processo, com incentivos constantes.

O grupo se mantém com a contribuição dos moradores, sem patrocínios, ou qualquer ligação financeira. Para participar, não se paga nada além, como eles declaram com prazer, da vontade de parar de beber.

TaianeNazaré


quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Sujeira e desorganização causam poluição visual e sanitária

É inegável a importância das feiras livres das cidades do interior, que se reproduzem há décadas e continuam fortes mesmo com o surgimento e evolução dos supermercados. Um bom exemplo disto ocorre na cidade de Cachoeira, onde as pessoas, independente da classe social, preferem comprar frutas que são comercializadas nas barracas. Os dias de mais movimento são quarta, quinta e sexta.
Não existe só a parte de frutas e verduras, tem ainda o açougue que funciona no mercado municipal e o mercado do peixe, vendendo peixes e mariscos.

A questão sanitária
No que se refere a limpeza e conservação a moradora Madanélia Fraga, de 77 anos, diz: “Os produtos da feira são bons, o que falta é educação por parte das pessoas. Há muitos anos os produtos eram vendidos no chão, em cima da folha de bananeira, mas tinha horário, tinha a segurança pública que se passasse das dez horas [da manhã] derramava o leite porque não era bom para o consumo. Sem falar que muitas coisas não precisavam ser compradas, os vizinhos, amigos distribuíam o que muitas vezes cultivavam em suas roças”.
Hoje, o feirante Wilton, de 48 anos, diz: “A maioria das coisas vem da Ceasa, nós vamos buscar em Juazeiro ou na região mesmo, vivo disso a mais de 20 anos.“
Comparado ao comércio das carnes o de frutas é modelo. As carnes são expostas sem refrigeração, no mercado a quantidade de moscas é absurda, cachorros circulam, o que é péssimo pra conservação de um produto perecível. Fomos buscar respostas com a Coordenadora de Vigilância Sanitária, Leila Mara.
Ela deixou bem claro o desejo por melhorias, comentou sobre projetos futuros, evidenciou fatos que atrapalham o andamento do seu trabalho e apresentou o ciclo no qual está envolvida:
“Eu não consigo trabalhar sozinha, fiscalizo todos os mercadinhos e armazéns da cidade, mas a questão da feira é muito mais complexa do que se imagina. È preciso muito mais que vontade, a ADAB (Agência Estadual de Defesa Agropecuária da Bahia) precisa estar trabalhando em conjunto, a policia militar e civil e o gestor. É preciso segurança, já fui ameaçada por apreender mercadoria estragada. O ponto principal é a falta de negociação e vontade de mudança por parte de quem comercializa. As pessoas são ignorantes e é muito difícil lidar com elas. Já tentamos esse contato várias vezes”.

E o discurso não muda.


Em conversa com o secretário de Agricultura, Indústria e Comércio Carlos Alberto Fraga, constatamos que o problema é ainda mais complexo para dar conta da fiscalização.
“Estamos vinculados à Secretaria Municipal de Saúde, através da vigilância sanitária, e à Secretaria de Ação Social, dando assistência aos feirantes, dialogando com os feirantes. Além da Secretaria de Obras, que fica responsável pela limpeza, junto com os caminhões de limpeza e os garis. Existe uma fiscalização para não deixar que os carrinhos de mão entrem na feira, porque atrapalham muita gente, acabam machucando a clientela. Porém, dos alimentos não tem como, porque acabamos entrando em conflito com quem vende e existe certa dificuldade de diálogo. A secretaria está com um projeto de doar barracas aos feirantes que vendem os alimentos no chão, com o objetivo de melhorar a higienização. Por isso temos dois tipos de barracas que vamos apresentar e discutir com eles as melhores medidas.”
Apesar das considerações apontadas pelos representantes da gestão atual, a feira livre ainda não tem uma previsão de reestruturação. Só resta esperar pelos órgãos responsáveis uma melhoria, pois as condições precárias de uso da feira estão colocando em risco a saúde dos moradores da cidade que é um Monumento Nacional.

Taiane Nazaré