quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Sujeira e desorganização causam poluição visual e sanitária

É inegável a importância das feiras livres das cidades do interior, que se reproduzem há décadas e continuam fortes mesmo com o surgimento e evolução dos supermercados. Um bom exemplo disto ocorre na cidade de Cachoeira, onde as pessoas, independente da classe social, preferem comprar frutas que são comercializadas nas barracas. Os dias de mais movimento são quarta, quinta e sexta.
Não existe só a parte de frutas e verduras, tem ainda o açougue que funciona no mercado municipal e o mercado do peixe, vendendo peixes e mariscos.

A questão sanitária
No que se refere a limpeza e conservação a moradora Madanélia Fraga, de 77 anos, diz: “Os produtos da feira são bons, o que falta é educação por parte das pessoas. Há muitos anos os produtos eram vendidos no chão, em cima da folha de bananeira, mas tinha horário, tinha a segurança pública que se passasse das dez horas [da manhã] derramava o leite porque não era bom para o consumo. Sem falar que muitas coisas não precisavam ser compradas, os vizinhos, amigos distribuíam o que muitas vezes cultivavam em suas roças”.
Hoje, o feirante Wilton, de 48 anos, diz: “A maioria das coisas vem da Ceasa, nós vamos buscar em Juazeiro ou na região mesmo, vivo disso a mais de 20 anos.“
Comparado ao comércio das carnes o de frutas é modelo. As carnes são expostas sem refrigeração, no mercado a quantidade de moscas é absurda, cachorros circulam, o que é péssimo pra conservação de um produto perecível. Fomos buscar respostas com a Coordenadora de Vigilância Sanitária, Leila Mara.
Ela deixou bem claro o desejo por melhorias, comentou sobre projetos futuros, evidenciou fatos que atrapalham o andamento do seu trabalho e apresentou o ciclo no qual está envolvida:
“Eu não consigo trabalhar sozinha, fiscalizo todos os mercadinhos e armazéns da cidade, mas a questão da feira é muito mais complexa do que se imagina. È preciso muito mais que vontade, a ADAB (Agência Estadual de Defesa Agropecuária da Bahia) precisa estar trabalhando em conjunto, a policia militar e civil e o gestor. É preciso segurança, já fui ameaçada por apreender mercadoria estragada. O ponto principal é a falta de negociação e vontade de mudança por parte de quem comercializa. As pessoas são ignorantes e é muito difícil lidar com elas. Já tentamos esse contato várias vezes”.

E o discurso não muda.


Em conversa com o secretário de Agricultura, Indústria e Comércio Carlos Alberto Fraga, constatamos que o problema é ainda mais complexo para dar conta da fiscalização.
“Estamos vinculados à Secretaria Municipal de Saúde, através da vigilância sanitária, e à Secretaria de Ação Social, dando assistência aos feirantes, dialogando com os feirantes. Além da Secretaria de Obras, que fica responsável pela limpeza, junto com os caminhões de limpeza e os garis. Existe uma fiscalização para não deixar que os carrinhos de mão entrem na feira, porque atrapalham muita gente, acabam machucando a clientela. Porém, dos alimentos não tem como, porque acabamos entrando em conflito com quem vende e existe certa dificuldade de diálogo. A secretaria está com um projeto de doar barracas aos feirantes que vendem os alimentos no chão, com o objetivo de melhorar a higienização. Por isso temos dois tipos de barracas que vamos apresentar e discutir com eles as melhores medidas.”
Apesar das considerações apontadas pelos representantes da gestão atual, a feira livre ainda não tem uma previsão de reestruturação. Só resta esperar pelos órgãos responsáveis uma melhoria, pois as condições precárias de uso da feira estão colocando em risco a saúde dos moradores da cidade que é um Monumento Nacional.

Taiane Nazaré

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